sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A linha de Wallace

Um dos trabalhos importantes realizado por Wallace, relacionou-se com a observação sobre a distribuição animal, reconhecendo duas regiões biogeográficas diferentes: a indiana e a autraliana.
Traçando uma linha ao longo do estreito entre Bornéu e Celebes, prosseguindo para sul entre Bali e Lombok: a oeste dessa linha encontram-se primatas, carnívoros (incluindo o tigre, ainda em Bali, mas não mais adiante), insectívoros, faisões, trogonídeos, picnonotídeos, e outras espécies especificamente asiáticas; a leste encontram-se catatuas, lóris, casuares, opossum, alguns marsupiais e uma diversidade muito maior  de papagaios do que de esquilos.
As duas regiões, embora com condições semelhantes de clima e de habit, alojam dois conjuntos faunísticos distintos. "Factos estes que só podem ser explicados se aceitarmos que existiram grandes alterações da superfície terrestre", escreveu Wallace.
A linha de Wallace, separando a região do sudoeste asiático da australiana, tornou-se um dos factos fundamentais da biogeografia contemporânea.
Ao propor a teoria da deriva dos continentes no início do século XX, Alfred Wegener seria mais um cientista, entre outros, em dívida para com Alfred Russel Wallace.

Fonte : National Geographic

A capacidade de ver

Alfred Russel Wallace era um homem que fazia mais do que olhar. Ele via.
Sem ter beneficiado de uma educação formal, Wallace propôs uma teoria da evolução paralela à desenvolvida mas ainda não publicada, por Darwin. O que destacava Wallace no contexto da época, era a sua capacidade de observação, um talento apurado durante os seus primeiros tempos como topógrafo em caminhas pelas charnecas galesas. O facto de ele ter recolhido vários exemplares de cada espécie  na sua expedição ao arquipélago da Malásia também ajudou.
Podemos construir uma frase a partir da asa de uma borboleta da espécie Trogonoptera brookiana.
Com 50 exemplares, Wallace podia construir uma história.
Outro naturalista poderia não reparar em tão ligeiras variações de tamanho, cor e padrão, mas Wallace reparava. E para além de ver, ele registava meticulosamente as suas descobertas, ligando depois todos os pontos. A ciência é feita com homens como este.
A capacidade de ver, e não apenas olhar, é o alicerce da descoberta.

Texto adapatado da revista National Geographic - Março 2009

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Lynn Margulis, morre aos 73 anos - Novembro 2011

A cientista americana Lynn Margulis, conhecida por seus trabalhos sobre a origem e evolução das células, e considerada uma autoridade em biologia evolutiva, morreu aos 73 anos em sua casa em Amherst (Massachusetts, Estados Unidos).
 
A cientista ficou conhecida por sua teoria da simbiogénese, que desafia as teorias neodarwinistas com o argumento que as variações herdadas não se devem a mutações ao acaso, mas à interação entre os organismos em longo prazo. Segundo Margulis, a origem das primeiras células com núcleo deu-se a partir da fusão de bactérias primitivas.

Teste de Avaliação - 11º

As sementes de guaraná, planta originária da Amazónia, podem impedir a proliferação de células cancerosas e o desenvolvimento de tumores, de acordo com pesquisa da Universidade de São Paulo (USP). Ratinhos alimentados com essa planta tiveram diminuição de 54% na quantidade de células cancerosas associadas a um tipo de cancro da mama chamado tumor de Ehrlich, o que retardou a progressão da doença e aumentou significativamente a sobrevida dos animais.
Os efeitos quimiopreventivos e terapêuticos do guaraná começaram a ser estudados em 2001 pelo veterinário Heidge Fukumasu, no Laboratório de Oncologia Experimental e Comparada da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP.
As primeiras pesquisas do veterinário mostraram que, depois de seis meses alimentados com guaraná, ratinhos com tumor de fígado apresentavam menos células cancerosas do que os que não haviam ingerido a planta. Posteriormente, ao realizar uma nova experiênica em ratinhos com melanoma (um tipo de tumor de pele), o investigador percebeu que o guaraná diminuía a proliferação celular e induzia a morte das células tumorais.

Evolução do elefante segundo o lamarquismo (Questão de aula)

As descobertas de fósseis ilustram habitualmente a história passada da Terra, que era absolutamente desconhecida pelos investigadores. O artigo principal da National Geographic, intitulado “The rise of Mammals”, publicado em Abril de 2003, afirma que os estudos do ADN complementaram e reforçaram a capacidade de investigação sobre o fóssil. As descobertas do grupo sugerem que os mastodontes e os ancestraisidos elefantes são originários da África, ao contrário de mamíferos tais como rinocerontes, girafas e antílopes, que encontram as suas origens na Europa e na Ásia, antes de imigrarem para África. Ao datar o novo fóssil, descoberto num país da África Oriental, a Eritreia, as origens dos elefantes e mastodontes recuam mais 5 milhões de anos em relação aos registos precedentes, afirma Sanders.  http://www.acp-eucourier.info , consultado 29/11/11



O elefante, como podes observar na figura, alterou as características ao longo da sua existência.
Explica, segundo o lamarckismo, as alterações sofridas pelo elefante.


 

Crânio de um Mastodonte (4 defesas). Museu de História Natural - Londres (UK)

Lamarckismo

Lamarck foi o primeiro cientista a apresentar uma teoria explicativa da forma como se processa a evolução dos seres vivos - o lamarckismo. No entanto, esta teoria, actualmente, só é referenciada devido à sua importância histórica e não pelo seu valor científico, pois Lamarck:

ü  foi o primeiro cientista a apresentar uma explicação para a evolução;

ü  foi o primeiro a explicar os registos fósseis através da evolução;

ü  foi o primeiro a explicar a biodiversidade através da evolução;

ü  acreditou numa grande idade para a Terra;

ü  deu grande importância à adaptação dos seres vivos ao ambiente, como factor evolutivo.

Lamarck, ao enunciar a sua teoria, baseou-se nas seguintes leis:

o   Lei da gradação - os seres vivos evoluíram dos mais simples para os mais complexos.

o   Lei da transformação das espécies - o ambiente afecta a forma e a organização dos seres vivos, modificando-os.

o   Lei do uso e desuso - a necessidade cria um órgão e a função modifica-o.

o   Lei da transmissão das características adquiridas - os descendentes herdam as novas características adquiridas.



Lamarck, ao enunciar a sua teoria evolucionista, baseou-se nos seguintes aspectos:

§  O ambiente sofre uma modificação e essa modificação cria nos seres vivos uma necessidade de mudarem (lei da transformação das espécies).

§  Lentamente, por necessidade de adaptação ao meio, os seres vivos vão usando os seus órgãos, desenvolvendo-os, ou, pelo contrário, desusam-nos, o que provoca o seu atrofiamento (lei do uso e desuso).

§  A função que um órgão desempenha vai determinar a sua estrutura (lei da adaptação).

§  Os seres vivos adquiriram deste modo novas características.

§  As novas características vão ser transmitidas à descendência, que deste modo se apre­senta com a nova característica (lei da transmissão das características adquiridas).

§  As novas características foram adquiridas lentamente, tornando um ser simples num ser complexo (lei da gradação).

§  A evolução ocorre por acção do ambiente sobre as espécies que, num tempo relati­vamente curto, variam na direcção desejada.

Se aplicarmos os fundamentos da teoria lamarckista ao clássico exemplo das girafas, representadas na figura, teremos o seguinte :


ü  As girafas habitavam meios em que predominavam as plantas herbácias e arbustivas de que se alimentavam.
ü   Estas girafas, sem qualquer variabilidade intra-específica, possuíam pescoço e patas curtos.
ü  O ambiente modificou-se, tendo desaparecido a vegetação herbácia e arbustiva e surgindo, de forma predominante, a vegetação arbórea.
ü  As girafas, para não morrerem de fome, sentiram necessidade de se modificar, de forma a poderem alimentar-se.
ü  Para chegarem às árvores, ou seja, ao alimento, as girafas esticaram continuamente as patas e o pescoço (lei do uso e desuso), de forma que estes se desenvolveram.
ü  A totalidade das girafas, num tempo relativamente curto, adquiriu novas caracterís­ticas, ou seja, o pescoço e as patas compridos.
ü  As características adquiridas são transmitidas à descendência, que passa a possuir patas e pescoço compridos (lei da transmissão das características adquiridas).
As ideias evolucionistas da teoria lamarckista não foram muito bem aceites na sua época, pois, para além de possuírem pressupostos não comprovados cientificamente, Lamarck ousou contrariar as ideias fixistas prevalecentes na sociedade. As principais crí­ticas ao lamarckismo foram:
§  A teoria possui pontos não testáveis cientificamente. Não se conseguiu provar cien­tificamente a "necessidade de adaptação" e a "procura da perfeição".
§  As modificações provenientes do uso e desuso dos órgãos são adaptações somáti­cas e individuais, não transmissíveis à descendência. Weissmann, nas sua expe­riência com ratos, nunca obteve ratos sem cauda, após ter passado vinte gerações de ratos a corta-lhes a cauda; logo, essa característica não foi transmitida.
§  A função não determina a estrutura, já que surgem caracteres sem função especí­fica nos seres vivos (é o caso das mamas nos homens). A função não faz o órgão. Existe uma reacção biunívoca, ou seja, a função resulta da estrutura existente e esta desenvolve-se mais ou menos de acordo com a função.
§  Nem sempre o uso modifica o órgão, como por exemplo, não é pelo facto de um indivíduo ler muito que os seus olhos se vão modificar.