Na verdade, não existem organismos multicelulares nos reinos Bactéria e Archaea.
Reconhecidamente, alguns procariotas formam filamentos e desprendem agregações de células, mas estas células associadas não trocam mensagens entre si e as suas funções não estão coordenadas. Daí que, tanto quanto sabemos, todos os organismos verdadeiramente multicelulares sejam eucariotas.
Os mais simples dos organismos multicelulares são microscópicos e consistem em pouco mais do que uma cadeia de células idênticas, mas algumas algas modernas fornecem-nos pistas sobre como a multicelularidade pode ter surgido.
Reconhecidamente, alguns procariotas formam filamentos e desprendem agregações de células, mas estas células associadas não trocam mensagens entre si e as suas funções não estão coordenadas. Daí que, tanto quanto sabemos, todos os organismos verdadeiramente multicelulares sejam eucariotas.
Os mais simples dos organismos multicelulares são microscópicos e consistem em pouco mais do que uma cadeia de células idênticas, mas algumas algas modernas fornecem-nos pistas sobre como a multicelularidade pode ter surgido.
A espécie amebóide chamada Dictyostelium discoideum opera habitualmente como uma célula isolada, mas em algumas ocasiões, sobretudo quando a comida é escassa, muitas das células individuais agrupam-se e toda a colónia se muda para uma nova localização.
Outros dos eucariotas simples de hoje, tal como o protozoário Volvox, possuem a capacidade de formar colónias até às 10 mil células individuais, podendo estas apresentar algumas diferenças celulares. Há vários anos que o Volvox fascina os cientistas; quando Anton van Leeuwenhoek (1632--1723), o famoso inventor do primeiro microscópio, pôs os olhos pela primeira vez no Volvox não conseguia acreditar no que estava a ver. A colónia formava uma bola oca e movimentava-se através da água aparentemente ao rolar (o nome Volvox significa, precisamente, «rolador feroz»). A maioria das 10 mil células actua como órgãos que se alimentam e nadam, batendo furiosamente os seus flagelos, e levando a que toda a colónia gire. Mas números mais reduzidos de células na colónia podem assumir uma função reprodutiva, e as colónias ou os indivíduos Volvox podem acasalar e produzir descendência adormecida. Por natureza, o Volvox reproduz-se assexualmente, e a descendência sexual parece constituir um garante contra condições particularmente adversas.
Este exemplo ilustra todos os tipos de princípios biológicos extraordinários. Primeiro, onde se traça a linha divisória entre um indivíduo e uma colónia? A bola do Volvox parece agir como um indivíduo, no sentido em que todas as células se agrupam e trabalham em conjunto para fazê-la nadar. Mas cada célula mantém-se também e essencialmente um indivíduo, agindo com autonomia para se alimentar e para se dividir de tempos a tempos.
Outros exemplos actuais de colónias encontram-se nos recifes de corais, em que numerosos indivíduos corais de uma espécie crescem juntos como uma única estrutura, ou um ninho de formigas, em que imensos tipos especializados de formigas trabalham juntos. Os componentes individuais da colónia (o coral, a formiga) conseguem viver por si e talvez formar uma nova colónia, embora isso não seja realmente aplicável à maioria das formigas individuais da colónia - eles dependem de outros para se reproduzirem, procurarem comida, protegerem o ninho ou manterem o ninho fresco.Mas quais são as vantagens da multicelularidade?
Devem ser muitas, porque a multicelularidade surgiu muitas vezes independentemente e ainda se está a desenvolver em algumas algas, como a Volvox. As vantagens da multicelularidade incluem, ao ter células especializadas, uma maior eficiência na alimentação, na movimentação, na reprodução e na defesa. Uma célula especializada que tem apenas de alimentar ou facultar uma virulenta capacidade defensiva pode possivelmente evoluir muito mais e especializar-se a um nível muito mais elevado do que uma célula simples alguma vez poderia conseguir, tendo de assumir todos os serviços e funções normais da vida.
Há igualmente vantagens claras em ser maior do que microscópico, não necessariamente por grande ser sempre melhor, mas por se ser o único organismo grande num mar de anões. Estas vantagens incluem acesso a novas fontes de alimentação, como presas maiores, e a possibilidade de se moverem mais rapidamente e por distâncias maiores.
Fonte : Breve história da vida. Michael J. Benton. Texto
Devem ser muitas, porque a multicelularidade surgiu muitas vezes independentemente e ainda se está a desenvolver em algumas algas, como a Volvox. As vantagens da multicelularidade incluem, ao ter células especializadas, uma maior eficiência na alimentação, na movimentação, na reprodução e na defesa. Uma célula especializada que tem apenas de alimentar ou facultar uma virulenta capacidade defensiva pode possivelmente evoluir muito mais e especializar-se a um nível muito mais elevado do que uma célula simples alguma vez poderia conseguir, tendo de assumir todos os serviços e funções normais da vida.
Há igualmente vantagens claras em ser maior do que microscópico, não necessariamente por grande ser sempre melhor, mas por se ser o único organismo grande num mar de anões. Estas vantagens incluem acesso a novas fontes de alimentação, como presas maiores, e a possibilidade de se moverem mais rapidamente e por distâncias maiores.
Fonte : Breve história da vida. Michael J. Benton. Texto

