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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A capacidade de ver

Alfred Russel Wallace era um homem que fazia mais do que olhar. Ele via.
Sem ter beneficiado de uma educação formal, Wallace propôs uma teoria da evolução paralela à desenvolvida mas ainda não publicada, por Darwin. O que destacava Wallace no contexto da época, era a sua capacidade de observação, um talento apurado durante os seus primeiros tempos como topógrafo em caminhas pelas charnecas galesas. O facto de ele ter recolhido vários exemplares de cada espécie  na sua expedição ao arquipélago da Malásia também ajudou.
Podemos construir uma frase a partir da asa de uma borboleta da espécie Trogonoptera brookiana.
Com 50 exemplares, Wallace podia construir uma história.
Outro naturalista poderia não reparar em tão ligeiras variações de tamanho, cor e padrão, mas Wallace reparava. E para além de ver, ele registava meticulosamente as suas descobertas, ligando depois todos os pontos. A ciência é feita com homens como este.
A capacidade de ver, e não apenas olhar, é o alicerce da descoberta.

Texto adapatado da revista National Geographic - Março 2009

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Aspectos comparativos entre os ciclos de vida de diferentes plantas - perspectiva evolutiva

As plantas provavelmente evoluíram a partir das Clorófitas (algas verdes), pois plan­tas e Clorófitas possuem reservas de amido, parede celular de composição celulósica e os seus pigmentos fotossintéticos são os carotenóides, a clorofila a e a clorofila b.

As primeiras plantas, logicamente muito simples, dependiam muito da água, tendo a sua evolução passado por uma perda da necessidade de água, o que as obrigou a adqui­rir mecanismos que lhes evitassem a perda de água e lhes aumentassem a capacidade de reserva em água, para assim sobreviverem em meio terrestre. A aquisição destas características não resultou de um processo tipo lamarckista, mas antes de um processo de selecção à variabilidade genética expressa nos fenótipos destas plantas.

Do ponto de vista evolutivo, as Briófitas (plantas avasculares) surgiram primeiro dando posteriormente lugar às Traqueófitas (plantas vasculares). A aquisição dos vasos condutores imprimiu desde logo uma maior independência das Traqueófitas relativa­mente à água.

A presença destes vasos não só lhes permitiu absorver e transportar mais água e sais minerais, como lhes permitiu fazer a sua reserva podendo, deste modo, aumentar mais as suas dimensões, pois a taxa fotossintética aumentou e por isso aumen­taram também os valores energéticos disponíveis. As Briófitas, devido à ausência de vasos vasculares, são plantas de reduzidas dimensões em relação à maioria das Traqueó­fitas.

As plantas Traqueófitas continuaram a sofrer um processo evolutivo.
As Filicíneas são Traqueófitas que se disseminam apenas por esporos. Sendo vasculares são mais evoluí­das que as Briófitas; no entanto, a ausência de uma semente torna-as menos evoluídas que uma Gimnospérmica. Este facto também pode ser analisado através das suas gera­ções esporófita e gametófita.

As plantas, porque possuem meiose pré-espórica, possuem alternância de gerações, logo uma geração esporófita, diplóide, pois resulta da transformação de um ovo em esporos. A geração gametófita, como corresponde à transformação de esporos em game­las, coincide com a haploidia. Significa isto que quanto mais evoluída for a planta mais desenvolvida é a geração esporófita, logo a diplofase, o que leva à existência de um maior número de cromossomas, logo uma maior variabilidade genética e uma maior capacidade de adaptação ao meio. Como podes verificar na tabela 6, a Briófita é a que apresenta uma menor geração esporófita, sendo o esporófito parasita do gametófito. A Filicínea, mais evoluída, já possui uma geração esporófita mais desenvolvida que a gera­ção gametófita, sendo o esporófito e o gametófito nutricionalmente independentes. A Angiospérmica inverte a situação da Briófita, pois a geração esporófita é dominante em relação a uma reduzida geração gametófita, sendo o gametófito parasita do esporófito.
As Gimnospérmicas introduzem a novidade das sementes, no entanto, devido à ausência de flor, estas sementes são nuas e desprotegidas de um pericarpo. A presença de uma semente permite ao embrião aguardar melhores condições de sobrevivência, mantendo-se em latência, e as reservas permitem a sua nutrição durante o desenvolvimento embrionário. É com as Gimnospérmicas que surge o tubo polínico e a fecundação inde­pendente da água.

 Com as Angiospérmicas surge a flor, e por isso a polinização entomófila, que, ao per­mitir cruzar diferentes plantas, aumenta a sua variabilidade genética. A semente passa a estar encerrada num pericarpo, pois o óvulo que lhe deu origem está protegido porum ovário, parte constituinte do carpelo. A presença de um pericarpo atrai os animais e assim aumenta a área de dispersão destas sementes, logo destas plantas.

As plantas epífitas não se enraízam no solo. Vivem cima de outros organismos vegetais e, graças a raízes aéreas, absorvem a água e os sedimentos que se acumulam na base. Na base das bromélias (foto ao lado), é frequente acumular-se água, que é usada como recurso por aves e mamíferos.