quinta-feira, 24 de maio de 2012

Rãs capazes de congelar e sobreviver

 
A Rana sylvatica é uma rã que habita a América do Norte e é capaz de resistir a valores ex­tremos de temperaturas. No final do outono, esta rã cobre-se de folhas e resiste a tempera­turas na ordem dos -36 °C. A rã torna-se praticamente um ser inanimado, sendo capaz de reduzir toda a atividade dos órgãos a valores próximos de zero, não consumindo oxigénio. Para evitar a formação de cristais de gelo nas células, que podem destruir as membranas plasmáticas, as rãs sintetizam elevadas quantidades de glicose no fígado. Posteriormente, ex­portam a glicose para o sangue, impedindo a formação de cristais de gelo. Parte desta gli­cose é depois transportada para o interior das células acoplada ao transporte transmembranar de sódio e potássio pela bomba Na+/K+. Alguma da água em excesso que se encontra no organismo é transferida para as cavidades, como por exemplo o estômago, onde se podem formar cristais de gelo sem afetar as célu­las do organismo.

Quando se comparam as amostras de fígado de rãs congeladas com rãs controlo verificou-se que as primeiras possuem maiores teores de mRNA que codifica fibrinogénio, uma proteína que atua na coagulação sanguínea, reduzindo as hemorragias quando os vasos são rompidos.

O ciclo de vida destas rãs também revela adaptações ao frio. Após a fecundação externa dos ovos depositados pelas fêmeas, o desenvolvimento embrionário é interrompido no inverno, sendo retomado na primavera, quando a temperatura da água aumenta.

Na primavera, esta espécie de rã retoma a sua homeostasia habitual em poucas horas. As adaptações descritas devem ter surgido há cerca de 15 000 anos, na última idade do gelo.

Ficha de Trabalho (Link)

Correção do Teste de Avaliação (link)

Hibernação em mamíferos

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