domingo, 15 de abril de 2012

Do magma à rocha

A transformação do magma em rocha concretiza-se pela passagem ao estado sólido da maior parte dos constituintes químicos presentes nesse fundido, isto é, pela cristalização dos minerais (na grande maioria, silicatos) possíveis de edi­ficar a partir dele, à medida que se dá o arrefecimento.
Os diversos minerais envolvidos neste processo não se formam ao mesmo tempo. Primeiro cristalizam os mais refratários, ou seja, os de ponto de fusão mais elevado, que são aqui também os mais densos, seguindo-se-lhes, numa sequência conhecida, os sucessivamente menos refratários e, ao mesmo tempo, os menos densos.
Esta transformação tem lugar num intervalo de temperaturas (variável com a pressão que é, já de si, função da profundidade a que se dá o arrefecimento) compreendido entre, aproximadamente, 1550°C e 500°C. Rela­tivamente aos silicatos mais comuns e característicos, surgem em primeiro lugar os mais ricos em ferro, magnésio e cálcio, isto é, olivina, piroxenas e plagioclases cálcicas.

Se estes minerais, uma vez formados, forem separados do banho magmático, o que pode acontecer por precipitação gravítica (eles são mais den­sos) no fundo da câmara magmática, o que resta do fundido inicial fica mais pobre em elementos dos minerais cristalizados a temperaturas mais elevadas, mas mais rico em silício, sódio e/ou potássio, ou seja, em elementos consti­tuintes dos minerais que cristalizam a temperaturas sucessivamente mais baixas e, também, os menos densos.
Este processo sequencial, conhecido por cristali­zação fracionada conduz a que, a partir do mesmo banho, se possam formar produtos rochosos diferentes, isto é, possa ocorrer diferenciação, neste caso, por precipitação ou decantação dos minerais no seio de um líquido menos denso. Por outras palavras, e de um modo muito esquemático, pode dizer-se que uma fração magmática que, pela sua composição e em profundidade, conduziria à formação de, por exemplo, um diorito (rocha sem quartzo, com feldspato calco-alcalino e anfíbola), dar origem a um tipo petrográfico formado por cristais de olivina e de piroxena acumulados no fundo da câmara, ou seja, um peridotito, razão pela qual as rochas ígneas formadas por separação gravítica, ou per descensum, são designadas por cumulados.
Sobre o peridotito e através do mesmo processo formam-se sucessivamente gabros, diorito, sienito e, até, eventualmente, granito.
A diferenciação gravítica conduz, assim, a que, na base do reservató­rio, se concentrem os materiais mais ricos em ferro, magnésio e cálcio, ao con­trário do topo, essencialmente constituído pelos mais ricos em silício, alumínio, sódio e potássio e, ainda, em voláteis.

Filão - Praia de Lavadores (Gaia, Portugal)
Uma variante da diferenciação gravítica por flu­tuação, igualmente dita per ascensum, é a levada a cabo pela subida de gases e vapores magmáticos. Com efeito, na sua subida no seio dos reservatórios magmáticos, sejam eles as câmaras magmáticas que alimentam o vulcanismo ou o interior dos orógenos na sequência da anatexia, os gases magmáticos, em particular o vapor de água, arrastam consigo silício, sódio e potássio, além de outros elementos como lítio, berílio, césio, tântalo.

Fonte : Introdução ao estudo do Magmatismo. G. de Carvalho. Âncora Editores


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