segunda-feira, 19 de março de 2012

Cheias e ocupação antrópica da orla costeira

MAIS DE UM TERÇO DA POPULAÇÃO MUNDIAL vive a menos de 100 quilómetros de distância da orla costeira.

Nas próximas décadas, à medida que o nível do mar subir, os especialistas em alterações climáticas prevêem que muitas das maiores ci­dades do planeta se verão crescentemente expos­tas a inundações costeiras. Em todo o mundo, as duas cidades que registarão um maior aumento proporcional da população exposta a condições climáticas extremas até 2070 localizam-se no Bangladesh: Dacca e Chittagong, seguidas de per­to por Khulna. Embora algumas zonas da região do delta talvez possam acompanhar o ritmo de subida do nível do mar, graças aos sedimentos fluviais que vão construindo as terras costeiras, outras ficarão provavelmente submersas. Os cidadãos do Bangladesh não vão ter de es­perar décadas pela antevisão do futuro: do seu ponto de observação sobre o golfo de Benga­la, enfrentam já a situação que virá a tornar-se normal num planeta com alterações climáticas.

Assistiram à subida do nível das águas, à salinização dos seus aquíferos, à força destrutiva das cheias fluviais e à intensificação dos ciclones que fustigam as suas costas, ou seja, as alterações as­sociadas aos desequilíbrios do clima global.

No dia 25 de Maio de 2009, a população de Munshiganj, uma cidade de 35 mil habitantes na costa sudoeste, teve um vislumbre do que poderá significar uma drástica subida do nível do mar. Nessa manhã, os ventos de 110 quiló­metros por hora do ciclone Mia provocaram um maremoto que se encaminhou rapidamente até à costa, onde os aldeãos desprevenidos tratavam dos arrozais e reparavam as redes de pesca.
Pouco depois das 10 horas da manhã, o pes­cador Nasir Uddin, de 40 anos, reparou que o rio de maré junto à aldeia estava a subir "muito mais depressa do que o normal", aproximando--se da maré cheia. Olhou para trás mesmo a tem­po de ver uma muralha de água castanha galgar um dos diques de dois metros que protegem a aldeia, a sua última linha de defesa contra o mar.
Em poucos segundos, a água irrompeu-lhe casa adentro, arrastando atrás de si as paredes de adobe e tudo o resto.
Poucos minu­tos depois, o barco virou-se, mas os membros da família conseguiram manter-se agarrados a ele enquanto as ondas o sacudiam. Por fim, as águas desceram, deixando centenas de mortos e milhares sem abrigo.

Fonte : National Geographic

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