terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Minimização de riscos sísmicos - Previsão

Os sismos são o desastre natural que maior número de vítimas provoca anualmente.
Um único sismo é capaz de matar vários milhares de pessoas.
A predição, isto é, a previsão de sismos, a curto prazo, é ainda um objetivo a alcançar pela comunidade científica. No entanto, hoje já possuimos algumas formas de criarmos alguma suspeição relativamente a um dado local e a um dado período de tempo.
A previsão sísmica utiliza diversos dados e alterações geológicas como:

- Aparecimento de pequenas fraturas no interior das rochas próximas de falhas;
- ocorrência de sucessivos microssismos;
- alteração da condutividade elétrica;
- alterações do campo magnético;
- modificações na densidade das rochas;
- alteração do nível de água de poços junto a falhas;
- aumento da emissão de rádon;
- anomalias no comportamento animal;

A utilização de todas estas técnicas e a análise dos resultados tem-se mostrado ineficaz na previsão sísmica.

Powerpoint utilizado na aula (link)

Documento 1

Há 100 anos ocorreu o último sismo mítico da Califórnia, o terramoto de São Francisco de 1906, que contribuiu para o nascimento da sismologia moderna. Passado um século, dispomos atualmente da muito bem sucedida teoria da tectónica de placas, que explica por que razão acontecem terramotos como o de 1906, bem como o moti­vo da deriva continental, da elevação das mon­tanhas e da existência de vulcões ao longo do anel do Pacífico. A tectónica de placas constitui uma das mais brilhantes vitórias da mente humana, que está para a geologia como a teoria da evo­lução para a biologia. No entanto, os cientistas ainda não conseguem prever quando ocorrerá novo sismo.

Algumas das perguntas mais fáceis sobre ter­ramotos continuam a ser difíceis de responder.
Por que razão começam? O que os faz parar? Será que uma falha costuma deslocar-se ligeiramen­te, anunciando a sua intenção maligna, antes de entrar em rutura catastrófica?
De seguida, vem a pergunta mais geral: have­rá padrões, regras e regularidades evidentes em terramotos ou serão eles inerentemente aleató­rios e caóticos? Como afirma o sismólogo de Berkeley Robert Nadeau, talvez "muita da aparente aleatoriedade dos terramotos seja apenas falta de conhecimento". Todavia, as falhas não seguem linhas direitas e ordeiras na paisagem: por exem­plo, em alguns locais, parecem-se com um pára-brisas estilhaçado. Toda aquela crosta rachada e instável está carregada de tensão e um abanão ocorrido numa falha pode descarregar tensão so­bre outras falhas. O sismólogo David Jackson, um dos líderes da facção defensora da teoria do caos, diz que o campo da sismologia está "a despertar para a complexidade".

Esta discussão entre as teorias da regularidade e do caos não é mera disputa académica esotéri­ca: os terramotos matam pessoas e arrasam cida­des. O maremoto de 26 de Dezembro de 2004, desencadeado por um terramoto gigante, ceifou mais de 220 mil vidas humanas. O terramoto com magnitude de 7,6 graus ocorrido em Caxemira no passado mês de Outubro matou pelo menos 73 mil pessoas. Cerca de um milhão de pessoas poderia morrer ou ficar ferido se um terramoto de grande intensidade se abatesse sobre as estru­turas não reforçadas dos arranha-céus de Teerão, Cabul ou Istambul. Uma das maiores potências económicas do mundo, o Japão, assenta nervo­samente sobre uma intersecção de placas tectónicas com catividade sísmica.
De momento, porém, a previsão de terramo­tos continua a pertencer ao domínio dos mitos, das fábulas em que aves, cobras, peixes e coelhos farejam a calamidade iminente. Por agora, os cien­tistas conseguem apenas fazer bons mapas de zo­nas com falhas e identificar as que poderão estar prestes a entrar em rutura. E podem fazer prog­nósticos. Num prognóstico, pode afirmar-se que, ao longo de um certo período de tempo, existe uma dada probabilidade de acontecerem sismos com determinada magnitude num dado local.
É talvez impossível transformar prognósticos em previsões, mas os cientistas estão a fazer tudo ao seu alcance para resolver o mistério dos sis­mos. Fraturam rochas em laboratórios, estudan­do o comportamento da pedra sob tensão. Caminham em florestas fantasmas, onde as ár­vores mortas contam histórias de tsunamis de um passado distante. Escavam trincheiras transver­sais às falhas, procurando o traçado ativo. Os cientistas já instalaram tantos sensores em zonas com falhas que a Terra parece um doente inter­nado na unidade de cuidados intensivos.
Tem de haver alguma maneira de impor or­dem e compostura a esse terreno escorregadio!

Extraído de National Geographic - Abril 2006

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