quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

As Torrentes

As torrentes são pequenos cursos de água, temporários, que funcionam como locais de concentração e escoamento das águas pluviais.
Estas formas, situam-se, geralmente, nas vertentes mais íngremes dos vales ou nas suas cabeceiras, nas zonas de relevo mais acidentado.

Segundo um modelo teórico, todavia de reconhecido interesse didático, a torrente comporta três troços considerados distintos, quer pela configuração e posicionamento, quer pelas ações que exercem: a bacia de receção, o canal de escoamento e o cone ou leque de dejeção.

1 - Bacia de receção; 2 - Canal de escoamento; 3 - Cone de dejeção

A bacia de receção, situada na parte mais ele­vada constitui uma zona mais ou menos ampla e escavada, para a qual convergem as águas de escorrência resultantes da pluviosidade. Dominado pela erosão e desprovido de vegetação, este troço apresenta-se intensamente abarrancado e afunilado na sua parte inferior.
O canal de escoamento, marcado por um vale profundo, pouco sinuoso ou rectilíneo, tem perfil em V e está pejado detritos grosseiros a muito grosseiros; escoa as águas acumuladas na bacia de receção, transporta a maior parte dos materiais erodidos e aprofunda-se ao longo do talvegue (caminho de vale), num tipo de desgaste referido por erosão linear ou vertical
No cone ou leque de dejeção, ao atingirem o extremo inferior do canal de escoamento, isto é, o nível de base da torrente, os materiais drenados espraiam-se, perdem velocidade e depositam-se, constituindo uma forma de acumulação em leque e de superfície cónica, mais ou menos rebaixada, cuja extensão pode variar entre a escala métrica e a quilométrica.
Este corpo sedimentar cresce por sucessivos acarreios de detritos, que, ao percorrê-lo, lhe abrem sulcos ou canais e constroem cones adventícios. Nos cones de dejeção, a granularidade dos elementos detríticos diminui de montante para jusante.
Os efeitos das torrentes são geralmente prejudiciais aos interesses econó­micos, tanto nas suas cabeceiras, onde predomina a erosão, como ao nível das terras baixas, no sopé, sujeitas a esporádicas enxurradas carregadas de detri­tos, invadindo campos de cultivo.
Ação das torrentes
O combate aos efeitos das torrentes faz-se, especialmente, pela fixação de vegetação adequada na bacia de receção e ou pela implantação de tabiques que barrem e diminuam a energia do canal de escoamento, reduzindo a escorrência, abrindo regos segundo as curvas de nível.
Fonte: Sedimentogénese. G. de Carvalho.




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