Os pólipos de coral, verdadeiros blocos de construção do recife, são animais coloniais minúsculos que alojam algas simbióticas nas suas células. À medida que essas algas realizam a fotossíntese, utilizando luz para gerar energia, cada pólipo é estimulado para secretar uma "casa" de carbonato de cálcio ou calcário. À medida que uma casa se sobrepõe a outra, a colónia expande-se como uma cidade. Outras formas de vida marinha agarram-se e disseminam-se, ajudando a aglutinar todas as peças.
Ao largo da extremidade oriental da Austrália, as condições são perfeitas para esta constru-. cão de paredes rochosas. Os corais crescem melhor em águas pouco fundas, límpidas e turbulentas, com muita luz para apoiar a fotossíntese. Milhões de gerações de pólipos mais tarde, o recife apresenta-se não como uma massa singular, mas como uma mistura desordenada cujos formatos, tamanhos e formas de vida são determinados pelo local do oceano onde se encontram e pelas forças exercidas sobre eles, como a ondulação forte. Se nos afastarmos muito da costa, onde a luz escasseia e as águas são mais profundas, não há o menor indício de recife.
"Na Grande Barreira de Coral, os corais estabelecem os padrões da vida de uma ponta à outra", diz Charlie Veron, cientista-chefe do Instituto Australiano de Ciência Marinha. Com mais de 400 espécies na região, "elas são o habitat de tudo o resto que aqui existe". As condições perfeitas de temperatura, a limpidez da água e as correntes permitem, por exemplo, aos corais de placas aumentar o seu diâmetro até 30 centímetros por ano. O recife também sofre uma erosão contínua, desgastado pelas ondas, pela química oceânica e por organismos que se alimentam de calcário. Este desaparecimento é muito mais lento do que o constante processo de construção. Apesar disso, até 90% da rocha acaba por dissipar-se nas águas, formando areia.
E as camadas subjacentes são relativamente jovens, em termos geológicos, com menos de dez mil anos. As verdadeiras origens do recife são mais antigas. Há 25 milhões de anos, segundo Charlie Veron, à medida que Queensland se deslocava para águas tropicais com o movimento da placa tectónica indo-australiana, larvas de coral começaram a ser transportadas para sul pelas correntes do indo-pacífico, fixando-se onde podiam. Lentamente, cresceram colónias rochosas nos fundos, povoadas por uma grande diversidade de vida marinha.
Desde o momento de fixação do recife, as eras glaciarias surgiram e extinguiram-se, as placas tectónicas avançaram e as condições oceânicas e atmosféricas mudaram bastante. O recife sofreu um constante vaivém, expandindo-se e desgastando-se, desfigurado e reabilitado consoante os caprichos da natureza.
Ciclo de vida Acropora millepora
Fonte: National Geographic - Maio 2011.
Fotos : David Doubilet



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