domingo, 11 de dezembro de 2011

Grande Barreira de Coral

Este recife gigantesco deve a sua existência a organismos geralmente pouco maiores do que um grão de arroz.

Os pólipos de coral, verdadeiros blocos de construção do recife, são animais coloniais minúsculos que alojam algas simbióticas nas suas células. À medida que essas algas realizam a fotossíntese, utilizando luz para gerar ener­gia, cada pólipo é estimulado para secretar uma "casa" de carbonato de cálcio ou calcário. À me­dida que uma casa se sobrepõe a outra, a colónia expande-se como uma cidade. Outras formas de vida marinha agarram-se e disseminam-se, ajudando a aglutinar todas as peças.



Ao largo da extremidade oriental da Austrá­lia, as condições são perfeitas para esta constru-. cão de paredes rochosas. Os corais crescem me­lhor em águas pouco fundas, límpidas e turbu­lentas, com muita luz para apoiar a fotossíntese. Milhões de gerações de pólipos mais tarde, o recife apresenta-se não como uma massa singular, mas como uma mistura desordenada cujos formatos, tamanhos e formas de vida são deter­minados pelo local do oceano onde se encon­tram e pelas forças exercidas sobre eles, como a ondulação forte. Se nos afastarmos muito da costa, onde a luz escasseia e as águas são mais profundas, não há o menor indício de recife.


"Na Grande Barreira de Coral, os corais es­tabelecem os padrões da vida de uma ponta à outra", diz Charlie Veron, cientista-chefe do Instituto Australiano de Ciência Marinha. Com mais de 400 espécies na região, "elas são o habitat de tudo o resto que aqui existe". As condições perfeitas de temperatura, a limpidez da água e as correntes permitem, por exemplo, aos corais de placas aumentar o seu diâmetro até 30 centíme­tros por ano. O recife também sofre uma erosão contínua, desgastado pelas ondas, pela química oceânica e por organismos que se alimentam de calcário. Este desaparecimento é muito mais lento do que o constante processo de constru­ção. Apesar disso, até 90% da rocha acaba por dissipar-se nas águas, formando areia.

E as camadas subjacentes são relativamente jovens, em termos geológicos, com menos de dez mil anos. As verdadeiras origens do recife são mais antigas. Há 25 milhões de anos, segun­do Charlie Veron, à medida que Queensland se deslocava para águas tropicais com o movimen­to da placa tectónica indo-australiana, larvas de coral começaram a ser transportadas para sul pelas correntes do indo-pacífico, fixando-se onde podiam. Lentamente, cresceram colónias rochosas nos fundos, povoadas por uma grande diversidade de vida marinha.


 Após uma ou duas noites de Lua cheia, corais duros imóveis como o Acropora millepora libertam ovos e sacos de esperma em simultâneo. Depois de se instalarem, os ovos fertilizados formam novas colónias.

Desde o momento de fixação do recife, as eras glaciarias surgiram e extinguiram-se, as placas tectónicas avançaram e as condições oceânicas e atmosféri­cas mudaram bastante. O recife sofreu um cons­tante vaivém, expandindo-se e desgastando-se, desfigurado e reabilitado consoante os caprichos da natureza.

Ciclo de vida Acropora millepora

Fonte: National Geographic - Maio 2011.
Fotos : David Doubilet

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