sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A capacidade de ver

Alfred Russel Wallace era um homem que fazia mais do que olhar. Ele via.
Sem ter beneficiado de uma educação formal, Wallace propôs uma teoria da evolução paralela à desenvolvida mas ainda não publicada, por Darwin. O que destacava Wallace no contexto da época, era a sua capacidade de observação, um talento apurado durante os seus primeiros tempos como topógrafo em caminhas pelas charnecas galesas. O facto de ele ter recolhido vários exemplares de cada espécie  na sua expedição ao arquipélago da Malásia também ajudou.
Podemos construir uma frase a partir da asa de uma borboleta da espécie Trogonoptera brookiana.
Com 50 exemplares, Wallace podia construir uma história.
Outro naturalista poderia não reparar em tão ligeiras variações de tamanho, cor e padrão, mas Wallace reparava. E para além de ver, ele registava meticulosamente as suas descobertas, ligando depois todos os pontos. A ciência é feita com homens como este.
A capacidade de ver, e não apenas olhar, é o alicerce da descoberta.

Texto adapatado da revista National Geographic - Março 2009

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