Alfred Russel Wallace era um homem que fazia mais do que olhar. Ele via.
Sem ter beneficiado de uma educação formal, Wallace propôs uma teoria da evolução paralela à desenvolvida mas ainda não publicada, por Darwin. O que destacava Wallace no contexto da época, era a sua capacidade de observação, um talento apurado durante os seus primeiros tempos como topógrafo em caminhas pelas charnecas galesas. O facto de ele ter recolhido vários exemplares de cada espécie na sua expedição ao arquipélago da Malásia também ajudou.
Podemos construir uma frase a partir da asa de uma borboleta da espécie Trogonoptera brookiana.
Com 50 exemplares, Wallace podia construir uma história.
Outro naturalista poderia não reparar em tão ligeiras variações de tamanho, cor e padrão, mas Wallace reparava. E para além de ver, ele registava meticulosamente as suas descobertas, ligando depois todos os pontos. A ciência é feita com homens como este.
A capacidade de ver, e não apenas olhar, é o alicerce da descoberta.
Texto adapatado da revista National Geographic - Março 2009

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