sábado, 19 de novembro de 2011

Quando um animal vira planta

A salamandra da espécie Ambystoma maculatus produz ovos verde esmeralda. Esta cor tem origem na alga da espécie Oophila amblystomatis (oophila, significa "que gosta de ovos).
Há muito que os cientistas sabem que o desenvolvimento dos ovos desta salamandra ocorre sob um envelope de algas, mas agora os investigadores detectaram a presença desta alga no interior das células do embrião.
Nesta relação simbiótica as algas utilizam os resíduos azotados do desenvolvimento embrionário, enquanto que o embrião beneficia de um fornecimento extra de oxigénio resultante da fotossíntese realizada pela alga simbiótica.

No início da investigação, os investigadores suspeitavam que esta associação terminava com a eclosão dos ovos. A surpresa ocorreu quando os investigadores constataram que a associação era mais íntima. A utilização de técnicas modernas de microscopia de fluorescência capaz de detectar a presença de clorofila no interior da célula e análises de DNA, permitiram a descoberta de algo que nunca teria sido possível de observar utilizando um microscópio óptico composto: a alga vive no interior das células até estádios avançados do desenvolvimento embrionário. Dito de outra forma, os dois organismos poderiam viver em endossimbiose.

No que diz respeito à ciência, é neste momento que o assunto fica cientificamente emocionante. É que a simbiogénese desempenhou um papel importante na explosão de vida na Terra e continua a ser importante na evolução biológica.

Os vertebrados, peixes, anfíbios, répteis, aves, mas também mamíferos, possuem um sistema imunitário. Este sistema corresponde a um conjunto de tecidos e células que permite aos seres vivos que possuem, produzir uma resposta específica e adaptada à invasão por bactérias, vírus, células cancerosas, etc….. Assim, como é possível à salamandra incorporar a alga no interior das células sem este corpo estranho ser eliminado pelo sistema de defesa?

Oophila amblystomatis tem uma artimanha. Na natureza estas formas ágeis e engenhosas são quase sempre vantajosas na evolução biológica. Segundo Ryan Kerney, um dos investigadores da equipa que tem estudado este processo, a alga instala-se nas células embrionárias de forma permanente, antes do sistema imunitário do anfíbio iniciar a sua actividade.

Vestígios das algas foram encontrados no sistema reprodutor da salamandra e nos ovos em estádios muito precoces, o que tem levantado a hipótese da Oophila transmitir-se de geração em geração no momento de transição, iludindo desta forma a guarda do nosso sistema imunitário.

Fonte utilizada : Science & Vie, Novembro 2011 - "Cet animal est ausi une plante"

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