quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Lamarckismo

Lamarck foi o primeiro cientista a apresentar uma teoria explicativa da forma como se processa a evolução dos seres vivos - o lamarckismo. No entanto, esta teoria, actualmente, só é referenciada devido à sua importância histórica e não pelo seu valor científico, pois Lamarck:

ü  foi o primeiro cientista a apresentar uma explicação para a evolução;

ü  foi o primeiro a explicar os registos fósseis através da evolução;

ü  foi o primeiro a explicar a biodiversidade através da evolução;

ü  acreditou numa grande idade para a Terra;

ü  deu grande importância à adaptação dos seres vivos ao ambiente, como factor evolutivo.

Lamarck, ao enunciar a sua teoria, baseou-se nas seguintes leis:

o   Lei da gradação - os seres vivos evoluíram dos mais simples para os mais complexos.

o   Lei da transformação das espécies - o ambiente afecta a forma e a organização dos seres vivos, modificando-os.

o   Lei do uso e desuso - a necessidade cria um órgão e a função modifica-o.

o   Lei da transmissão das características adquiridas - os descendentes herdam as novas características adquiridas.



Lamarck, ao enunciar a sua teoria evolucionista, baseou-se nos seguintes aspectos:

§  O ambiente sofre uma modificação e essa modificação cria nos seres vivos uma necessidade de mudarem (lei da transformação das espécies).

§  Lentamente, por necessidade de adaptação ao meio, os seres vivos vão usando os seus órgãos, desenvolvendo-os, ou, pelo contrário, desusam-nos, o que provoca o seu atrofiamento (lei do uso e desuso).

§  A função que um órgão desempenha vai determinar a sua estrutura (lei da adaptação).

§  Os seres vivos adquiriram deste modo novas características.

§  As novas características vão ser transmitidas à descendência, que deste modo se apre­senta com a nova característica (lei da transmissão das características adquiridas).

§  As novas características foram adquiridas lentamente, tornando um ser simples num ser complexo (lei da gradação).

§  A evolução ocorre por acção do ambiente sobre as espécies que, num tempo relati­vamente curto, variam na direcção desejada.

Se aplicarmos os fundamentos da teoria lamarckista ao clássico exemplo das girafas, representadas na figura, teremos o seguinte :


ü  As girafas habitavam meios em que predominavam as plantas herbácias e arbustivas de que se alimentavam.
ü   Estas girafas, sem qualquer variabilidade intra-específica, possuíam pescoço e patas curtos.
ü  O ambiente modificou-se, tendo desaparecido a vegetação herbácia e arbustiva e surgindo, de forma predominante, a vegetação arbórea.
ü  As girafas, para não morrerem de fome, sentiram necessidade de se modificar, de forma a poderem alimentar-se.
ü  Para chegarem às árvores, ou seja, ao alimento, as girafas esticaram continuamente as patas e o pescoço (lei do uso e desuso), de forma que estes se desenvolveram.
ü  A totalidade das girafas, num tempo relativamente curto, adquiriu novas caracterís­ticas, ou seja, o pescoço e as patas compridos.
ü  As características adquiridas são transmitidas à descendência, que passa a possuir patas e pescoço compridos (lei da transmissão das características adquiridas).
As ideias evolucionistas da teoria lamarckista não foram muito bem aceites na sua época, pois, para além de possuírem pressupostos não comprovados cientificamente, Lamarck ousou contrariar as ideias fixistas prevalecentes na sociedade. As principais crí­ticas ao lamarckismo foram:
§  A teoria possui pontos não testáveis cientificamente. Não se conseguiu provar cien­tificamente a "necessidade de adaptação" e a "procura da perfeição".
§  As modificações provenientes do uso e desuso dos órgãos são adaptações somáti­cas e individuais, não transmissíveis à descendência. Weissmann, nas sua expe­riência com ratos, nunca obteve ratos sem cauda, após ter passado vinte gerações de ratos a corta-lhes a cauda; logo, essa característica não foi transmitida.
§  A função não determina a estrutura, já que surgem caracteres sem função especí­fica nos seres vivos (é o caso das mamas nos homens). A função não faz o órgão. Existe uma reacção biunívoca, ou seja, a função resulta da estrutura existente e esta desenvolve-se mais ou menos de acordo com a função.
§  Nem sempre o uso modifica o órgão, como por exemplo, não é pelo facto de um indivíduo ler muito que os seus olhos se vão modificar.



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