quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Lamarck

Jean-Baptiste de Monet, cavaleiro de Lamarck (1744-1829), está inicialmente destinado à condição eclesiástica e frequenta o colégio dos jesuítas de Amiens. Mas, aos 17 anos de idade, após a morte do pai, deixa o colégio para abraçar a carreira das armas e participa nos combates da guerra dos Sete Anos. Com a patente de tenente em 1763, abandona o exército cinco anos depois e vai para Paris, onde se dedica à medicina, à música, à meteorologia e ao jornalismo.

Nesta altura, a botânica é já uma paixão para Lamarck; segue assiduamente as aulas de Bernard de Jussieu e as sessões de herborização de Jean-Jacques Rousseau. Em 1779, publica uma Flore Françoise. Dois anos depois, ingressa no Jardin du Roi, onde é nomeado responsável pelo herbário e, depois, bibliotecário até 1790.

Quando o Museu Nacional de História Natural é criado, em 1793, apesar das suas competências, a cátedra de botânica escapa a Lamarck, a quem é atribuída uma nova cátedra: a «Zoologia dos Insectos, dos Vermes e dos Animais Microscópicos» (animais invertebrados). Lamarck tem agora 50 anos de idade; embora botânico, pedem-lhe que ensine a história natural dos invertebrados. Apesar da grande novidade desta tarefa, abraça-a totalmente e, em 1801, publica o seu Sistema dos Animais Sem Vértebras, que completará, de 1815 a 1822, com os sete volumes de uma obra-prima: História Natural dos Animais Sem Vértebras (Histoire naturelle dês animaux sans vertèbres).


Enquanto naturalista, Lamarck foi um morfologista completo e um anatomista escrupuloso; neste plano, a sua obra brilha pelo rigor. Mas, paralelamente, certos aspectos do seu trabalho levam-no a uma reflexão filosófica, que descreverá em Filosofia Zoológica (Philosophie zoologique, 1809). Ainda que fosse inicialmente fixista, a sua atitude filosófica demonstra uma reviravolta total relativamente a esta concepção do mundo. Não há dúvida de que foi influenciado pelos escritos do médico e filósofo francês Georges Cabanis e, talvez, também do botânico e poeta Erasmus Darwin (avô de Charles Darwin). Mas é sobretudo nos seus estudos sobre os animais invertebrados que mostra numerosos exemplos da passagem gradual e organizada de uma forma animal a uma forma próxima, o que o leva a contestar o valor absoluto atribuído, na época, à noção de espécie e a formular as suas ideias transformistas. Mobilizará depois toda a sua energia para compreender as circunstâncias e as causas dessas transformações.


Esta orientação, desprovida, segundo os seus contemporâneos, do necessário rigor científico, será violentamente atacada, e Cuvier não terá qualquer pejo em desconsiderar este aspecto - sem dúvida, o mais importante - das obras do seu colega. Afectado pela cegueira, desacreditado e criticado pelos colegas do Museu, morre em 1829, abandonado por todos. Em 1908, uma subscrição nacional erigir-lhe-á finalmente um monumento, realizando assim a profecia da sua filha Cornélie: «A posteridade admirar-vos-á; vingar-vos-á, meu pai!»

Fonte : História das Ciências - II Volume. Edições Texto&Grafia



" Si Ia nature s'en était ténue à l'emploi de son premier moyen, c'est-à-dire d'une force entièrement extérieure et étrangère à l'animal, son ouvrage fut reste três imparfait; lês animaux n'eussent été que dês machines totalement passives, et elle n'eut jamais donné lieu, dans aucun de cês corps vivants, aux admirables phénomènes de Ia sensibilité, du sentiment intime d'existence qui en resulte, de Ia puissance d'agir, enfin, dês idées, au moyen desquelles elle pút créer lê plus étonnant de tous, celui de Ia pensée, en un mot, l'intelligence."
Excerto de Philosophie Zoologique. Editions GF-Flammarion

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