sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Endossimbiose

A simbiose é um meio pelo qual a aquisição de novos genomas e novas valências metabólicas e organismais ocorrem, permitindo a construção evolutiva dos organismos biológicos. Como referiu Joshua Lederberg, em 1952, a endossimbiose é um processo comparável à hibridação, sendo uma via para a introdução de genomas filogeneticamente distintos em associações íntimas de organismos. O rápido apare­cimento destas novas características ou valências evolutivas adquiridas a partir dos organismos associados contraria, do nosso ponto de vista, a perspectiva gradualista da teoria neodarwinista. Neste sentido, as modifi­cações evolutivas podem igualmente ser explicadas por uma integração sinergística entre organismos, a qual constitui a principal regra no mundo natural e não a sua excepção.

Um bom exemplo desta realidade pode ser encontrado na associa­ção simbiótica Azolla-Anabaena. Azolla é um pteridófito aquático heterospórico que apresenta folhas bilobadas e imbricadas ao longo do rizoma, tendo cada urna destas folhas um lobo dorsal flutuante e um lobo ventral submerso. No lobo dorsal clorofilino existe uma cavidade ovóide onde vive em permanência uma comunidade procariótica constituída por cianobactérias filamentosas fixadoras de azoto atmosférico, normal­mente referidas como Anabaena azollae, e vários géneros de bactérias. Esta cavidade foliar comporta-se como a unidade de interface dinâmica e fisiológica deste sistema simbiótico, onde as principais vias metabóli­cas e energéticas ocorrem. Neste sentido, pode ser considerada como um microcosmos natural, uma espécie de microssistema com auto-organização e com uma estrutura ecológica bem definida. Esta associa­ção simbiótica constitui um exemplo de sucesso dum sistema que co-evoluiu, com os simbiontes sempre presentes no ciclo de vida do pteri­dófito, sugerindo uma evolução filogenética paralela da relação entre os parceiros, podendo igualmente ser considerada como um exemplo típico duma simbiose hereditária. Nesta associação simbiótica, comunidades ecológicas complexas de microorganismos cooperam de forma perma­nente, juntamente com o pteridófito, na manutenção do todo. Novas capacidades metabólicas e orgânicas são adquiridas e desenvolvidas pelos parceiros, que estabelecem um novo nível de organização que vai para além das capacidades individuais de qualquer um deles.

Tendo-se iniciado mesmo antes da formação das células eucarióticas, aquando do aparecimento e desenvolvimento das primeiras mani­festações de vida na Terra e provavelmente numa fase da evolução pré--biótica, a simbiogénese representa, na nossa opinião, o principal mecanismo evolutivo no estabelecimento da biodiversidade sobre a qual a selecção natural actua, bem como no estabelecimento e manutenção das comunidades biológicas. A origem e o desenvolvimento dos proces­sos aeróbios e autotróficos em organismos eucariontes, por exemplo, resultam de processos simbióticos ancestrais, em que alfa-proteobactérias originaram mitocôndrias e, ulteriormente, cianobactérias colonizaram e foram integradas em células primitivas aeróbias evoluindo para cloroplastos. A dinâmica dos processos biológicos caracteriza-se essen­cialmente, não pelo isolamento de características a partir de outras formas de vida, mas antes pela capacidade em integrar essas valências no próprio organismo em evolução. Pensamos, aliás, que uma das características dos sistemas biológicos é ã de formarem associações e/ou estabelecerem relações de comunicação com outros organismos, o que implica considerar esta manifestação como uma das principais caracte­rísticas da vida.

Fonte : Adaptado de Evolução: conceitos e debates. Esfera do Caos



1 comentário:

  1. adorei o resumo me ajudou muito e era isso que eu queria na e muito grande e basico e fornese muitas informaçoes legais quem postou isso esta de parabens sensacional bom so tenho que agradecer a quem postou um grande abraço e beijos thau

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