terça-feira, 4 de outubro de 2011

Steno e a formação dos relevos

Em 1669, o dinamarquês Niels Steensen, conhecido por Nicolau Steno (1638-1686), publica o Prodomus de uma dissertação «Sobre um sólido contido naturalmente num sólido», que estabelece definitivamente as bases da geologia moderna. Segundo Steno, qualquer sólido teve origem num fluído.
Os estratos (camadas de terreno) do subsolo depositaram-se, portanto, sucessi­vamente uns sobre os outros, processo a que, mais tarde, se chamará sedimentação. Estes estratos são inicialmente horizontais e contínuos. Cada um contém conchas e outros detritos, restos de seres vivos que viviam nessa época e que se acumularam no fundo da água. Leonardo da Vinci já formulara anteriormente uma hipótese semelhante acerca da contiguidade de um mesmo tipo de fósseis numa mesma camada de terreno, sem o explicar. Mas Steno vai mais longe. Distingue dois tipos de depósitos: os que contêm fósseis marinhos, sal marinho, etc., e aqueles menos consolidados, que contêm grãos, restos vegetais, ou seja, depósitos lacustres, que ele considera mais jovens. Podemos sorrir com esta cronologia, quando se conhece a extensão da escala estratigráfica actual, que vai desde os depósitos quaternários aos mais antigos, com várias centenas de milhões de anos. Mas o universo de Steno é o da Bíblia, que só tem alguns milhares de anos, e é difícil ao cientista conciliar observação e teologia.

No entanto, Steno teve o mérito de atribuir aos fósseis um papel fundamental na determinação dos aspetos das formações geológicas.
Em relação à formação dos relevos, Steno vai buscar as suas hipóteses àquilo que vê na Toscana: as secções dos estratos revelados implicam uma ruptura ou uma ablação; a sua situação inclinada implica uma perturbação, que é a causa das montanhas. Nessa época, para explicar os relevos, encaravam-se, com efeito, mais os desabamentos do que os levantamentos. Steno imagina o processo seguinte: sedimentação em camadas rochosas horizontais e sobrepostas, primeira emersão destas camadas e escavação das mais antigas formando uma cavidade interna, desabamento das camadas mais superiores, nova imersão pelas águas e depósitos de sedimentos mais recentes, nova emersão, nova escavação interior e novo desabamento das camadas superiores recentes.
Deste modo, distingue, por um lado, montanhas antigas, feitas de estratos rochosos sem fósseis, e, por outro, «pequenas montanhas» recentes, mais móveis, encaixadas em vales de desabamento. O fogo, ou a infiltração da água, seria a causa da sapa dos leitos rochosos das camadas de terreno.
Com estes dois princípios - a cronologia estratigráfica e a formação dos relevos -, a geologia torna-se uma ciência de observação, a geologia de campo, que perdurará até ao século XX.
 Adaptado de História das Ciências, II Volume. Edições Texto&grafia

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